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15/07/2009 - SBU promove campanha de câncer de pênis

Além de ação, entidade faz pesquisa inédita no mundo sobre tipos da doença em parceria com Hospital A. C. Camargo, em São Paulo. Zico é padrinho da iniciativa

No dia 20 julho, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) inicia sua segunda Campanha Nacional de Esclarecimento sobre o Câncer de Pênis. Mais do que ressaltar a necessidade da boa higiene do órgão genital como método preventivo, a entidade vai promover uma ação de esclarecimento das doenças do homem e da importância de se visitar um urologista em todas as fases da vida – criança, adolescente, adulto e idoso. Assim como em 2007, o ex-jogador de futebol Zico é novamente o padrinho da iniciativa. O site da entidade (www.sbu.org.br) contará com um programa em vídeo, chamado Cidadão Saudável, sobre a doença com entrevista com médicos e uma exclusiva com o atleta contando como ele cuida da saúde, além disso, haverá distribuição de panfletos nas ruas de diversas capitais.

Outra ação da campanha é a realização de um estudo inédito histopatológico sobre o câncer de pênis. A SBU firmou uma parceria com os patologistas do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo, referência em câncer, e com o patologista maior estudioso do assunto no mundo Antonio Cubillas – do Instituto de Patologia e Investigações de Assunção (Paraguai) – para concretização dessa pesquisa. No dia 25 de julho haverá um mutirão de cirurgias de fimose nas capitais das regiões Norte e Nordeste. O material colhido nas intervenções cirúrgicas será analisado para verificar a existência de lesões pré-cancerosas. A expectativa dos médicos é a realização de 500 cirurgias no dia do mutirão. “Vamos estudar sob o ponto de vista histopatológico o prepúcio desses pacientes para verificar se havia alguma lesão cancerosa. O resultado dessa pesquisa poderá nortear as ações governamentais para erradicação dessa doença que mutila”, diz o coordenador de campanhas públicas da SBU, Aguinaldo Nardi. De acordo com os médicos, em casos graves é preciso amputar o órgão.

O objetivo da pesquisa é analisar as causas da doença – por relação com HPV ou falta de higiene – e conhecer os tipos desse câncer. “Sabendo a origem fica mais fácil identificar o melhor tratamento para aquele tumor específico. Há ainda poucos estudos no mundo sobre o câncer de pênis, sobretudo porque os países que realizam o maior número de pesquisas têm raríssimos casos da doença”, diz o presidente da SBU, José Carlos de Almeida. Não há no mundo estudo com tantos materiais colhidos como este.

Dados da doença
De acordo com levantamento feito pela SBU em 2007, o câncer de pênis é uma patologia muito frequente no Brasil, acometendo preferencialmente pacientes de baixa renda, não circuncidados ao nascimento, de cor branca, moradores das regiões Norte e Nordeste e que demoram a procurar assistência médica especializada ao notar feridas no pênis. O estudo mostrou ainda que 81,62% dos casos de câncer de pênis acometem homens acima de 46 anos. O Norte e Nordeste juntos têm mais de 50% dos casos.

“Os homens devem ficar atentos a qualquer tipo de lesão no pênis. Devem lavar o órgão genital diariamente e principalmente após relações sexuais. Uma pequena ferida pode ser um tumor maligno que se não cuidado pode evoluir atacando os canais linfáticos o que pode ocasionar não só a amputação do órgão, como também dos membros inferiores”, alerta Almeida. De acordo com os médicos, são realizadas por ano cerca de mil amputações de pênis pelo SUS. A amputação é o tratamento mais adequado para casos avançados da doença.

Zico: o padrinho
O jogador de futebol e hoje técnico do CSKA na Rússia foi escolhido para ser o padrinho da ação devido à sua consciência sobre a saúde do homem. Desde cedo, Zico realiza exames periódicos para mapear sua saúde e nunca teve preconceito de ir a um urologista. Irmão de cinco homens e pai de três, Zico sabe muito bem lidar com a saúde masculina. “O que existe é desinformação. A gente sabe que há câncer de vários tipos e não do câncer de pênis. Muita gente se assustou quando fiz a campanha em 2007”, diz o craque. Ele lembra que acreditava que os amigos de pelada iriam fazer brincadeiras por ele ter abraçado a causa, mas aconteceu o contrário, todos ficaram assustados com o assunto. “A resposta da campanha foi muito boa e estamos aqui de novo para poder falar sobre isso e dar esse alerta. Homem, se cuida!”, disse em entrevista de vídeo ao site da SBU.

As Doenças do Homem por faixa etária
Além de chamar a atenção para o câncer de pênis, a SBU quer alertar os homens sobre outros problemas específicos da ala masculina que aparecem, na maioria das vezes, sem dar sintomas. Veja abaixo algumas doenças:

Crianças:

Enurese Noturna - é a micção involuntária durante o sono, em crianças sem anomalias, que já o possuem o controle urinário diurno. Há várias causas envolvidas, principalmente a hereditariedade. A maioria das crianças tem resolução espontânea e os tratamentos medicamentosos são indicados após os 8 anos. Aos 7 anos, 3% das meninas e 7% dos meninos são enuréticos. A resolução espontânea é de 15% ao ano e 99% das crianças adquirem o controle urinário perfeito até os 15 anos. Cerca de 60% dos pais foram enuréticos.

Disfunção Miccional - são alterações miccionais na criança neurologicamente normal. Na maioria das vezes ocorre perdas urinárias diurnas e noturnas, freqüência urinária aumentada, podendo ocorrer infecção urinária e também constipação intestinal com perda de fezes. São necessários exames específicos e tratamento que na maioria das vezes são com medicamentos e modificações do comportamento. É uma entidade clínica comum, responsável por até 40% das crianças que procuram o urologista pediátrico. É a causa mais freqüente de infecção urinária na infância na ausência de anormalidades congênitas.

Hipospádia - anomalia do desenvolvimento fetal masculino, caracterizada pela abertura da uretra fora do local habitual (extremidade da glande), podendo estar em vários locais ao longo do eixo do pênis, no escroto ou até no períneo. Comumente apresenta curvatura peniana associada e o tratamento é sempre a correção cirúrgica que deve ser realizada dos seis meses aos 2 anos. Nos casos graves, é freqüente a necessidade de mais de uma cirurgia. Anomalia freqüente que acomete de um para 125 a 250 meninos, cuja incidência tem aumentado nos últimos anos, podendo estar relacionada aos tratamentos para engravidar.

Fimose - é a impossibilidade de retrair a pele do pênis (prepúcio) para expor a glande (cabeça). É preciso diferenciar das aderências normais do prepúcio que acometem todas as crianças, mas que até os 3 anos, ocorre a espontânea retração. O tratamento é feito com cremes ou pomadas e se não resolverem, a cirurgia é utilizada. Deve-se evitar as "massagens" forçadas. Com 3 anos, 90% dos meninos conseguem retrair o prepúcio e expor a glande. Aos 17 anos, cerca de 1% dos jovens permanecem com fimose. É uma das causas do câncer de pênis.

Criptorquidismo - é a ausência do testículo na bolsa escrotal. Pode ser uni ou bilateral. Na maioria das vezes, o testículo fica retido na região inguinal ou abdominal, mas pode ocorrer a agenesia (ter nascido sem). O tratamento pode ser realizado com medicamentos, que são pouco eficazes, e se não resolver, a cirurgia é mandatária; e deve ser realizada ao redor de 1 ano. Os testículos que permanecem fora do escroto após dois anos, já apresentam lesões irreversíveis, que podem levar a infertilidade (impossibilidade de ter filhos). Uma das anomalias mais comuns da infância ocorre em 3 a 4% das crianças, sendo ainda mais freqüente nos prematuros, 30%.

Hidrocele - presença de líquido no escroto. Na maioria das vezes regride espontaneamente até o primeiro ano de vida. Quando não regredir ou for muito grande, a cirurgia se impõe. Ocorre em cerca de 6% dos meninos.

Infecção Urinária - na criança maior, que já tenha tirado as fraldas, causa dor e ardência ao urinar, aumento de freqüência e indisposição. Nos recém natos ou lactentes, irritação, gemedeira, inapetência ou falta de ganho de peso. A febre é uma manifestação freqüente. Toda criança com febre inexplicável deve realizar um exame de urina. O tratamento é feito com antibióticos e uma investigação (ultra-som e R.X.) é fundamental para saber a causa da infecção. Acomete 2 a 3% das crianças. É a 2ª infecção bacteriana da infância, só superada pelas vias aéreas superiores.

Adolescentes:

Tumores no Testículo – o câncer de testículo é o tumor mais prevalente nos homens jovens na idade de 15 a 35 anos de idade, apresentando alta possibilidade de cura nos tumores iniciais. São tumores que respondem bem à quimioterapia e alguns, à radioterapia. O auto-exame do testículo é fundamental para o diagnostico precoce.

Torção de Testículo – É o quadro mais importante entre o grupo das chamadas “urgências escrotais”. Trata-se de uma emergência cirúrgica. Tem sua maior incidência entre 13 e 18 anos. Devido a um defeito de implantação testicular, mais especificamente uma anomalia de suspensão de testículo, promove uma instabilidade do órgão que pode promover uma rotação anômala no seu eixo longitudinal. Essa rotação leva a um sofrimento inicialmente do retorno venoso testicular e mais tardiamente a uma deficiência na irrigação arterial do órgão. O que pode evidentemente promover a uma isquemia e posterior necrose tecidual. Trata-se de uma urgência porque o tempo é crucial para a recuperação do testículo. Alguns autores estabelecem que até 6 horas de isquemia é possível recuperar o órgão, no entanto, cada caso deve ser conduzido de forma individualizada, desde que a idéia de urgência fique bem estabelecida.

Varicocele – A varicocele consiste em uma dilatação anômala do plexo venoso Pampiniforme (veias do testículo), responsável pela drenagem venosa do testículo. É popularmente chamada de varizes no testículo. Está presente em torno de 15% dos adolescentes, incidência semelhante aos indivíduos da fase adulta. Cerca de 40% dos homens com alterações da fertilidade são portadores dessa patologia. Portanto, é a causa corrigível mais comum de infertilidade masculina. Sua ocorrência deve-se a uma insuficiência de válvulas venosas do plexo venoso (conjunto de veias) testicular, cerca de 90% ocorre à esquerda e 10% à direita. Em torno de 30% ocorre bilateralmente. Geralmente não apresenta sintomas, mas quando esse aparece é referido como uma sensação de peso no lado acometido. A dor testicular decorrente da varicocele é rara.

Doenças Sexualmente Transmissíveis – Talvez esse seja o grande desafio do urologista na atualidade, o combate às DSTs. A diversidade das doenças que compõem esse grupo preenche os consultórios urológicos com situações peculiares relacionados ao descuido e falta de orientação dos jovens. O HPV teve um crescimento espantoso de 1000% nas últimas décadas, acometendo hoje mais de 1/3 das jovens americanas. É a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo, a sua falta de sintomas e a promiscuidade associada à cultura masculina de desprezar a prevenção tem se mostrado fator crucial no aumento de seus índices. A AIDS, que inicialmente na década de 80 tinha um comportamento de maior incidência entre os homossexuais, politransfundidos e hemofílicos, desde o início dessa década tem demonstrado uma incidência maior entre os casais heterossexuais, inicialmente os homens e agora as mulheres casadas estão sendo mais acometidas. A uretrite, as doenças fúngicas, doenças hepáticas virais e o herpes também têm sua prevalência mantida entre as DSTs.

Trauma Urológico – Os números do trauma são alarmantes. Na década de 90 foi a primeira causa de morte entre os indivíduos de 1 a 15 anos. Na guerra da Bósnia morreram 70 mil pessoas em quatro anos, na guerra do Vietnã morreram 56 mil em sete anos, no Brasil morrem 75 mil pessoas decorrente de trauma a cada 18 meses. Cerca de até 90% desses indivíduos são jovens de até 29 anos. É uma verdadeira guerra que o país enfrenta anualmente, e sempre perdendo as batalhas. O trauma renal é o mais comum entre as afecções traumáticas urológicas, responde por cerca de 1-5% de todos os traumas, acomete os homens três vezes mais que as mulheres, e cerca de 90-95% é decorrente de trauma abdominal contuso, evidentemente respeitando peculiaridades regionais.

Homem Adulto:
Infertilidade – Acomete cerca de 15% dos casais e em metade dos casos de casais inférteis existe um fator masculino que contribui para a dificuldade de concepção.

Disfunções Sexuais – Compreendem dificuldades de ereção e alterações da ejaculação, sendo a mais comum a ejaculação precoce. Problemas de ereção aumentam com a idade, especialmente pelo aparecimento de doenças sistêmicas como hipertensão, diabete e doenças cardiovasculares, além de hábitos nocivos como tabagismo e sedentarismo. Ejaculação precoce é outra condição masculina comum. Suas causas não são bem conhecidas, mas envolvem fatores psicogênicos e orgânicos.

Prostatite (inflamação ou infecção da próstata) – É uma doença que atinge 2 a 10% dos homens e é causa comum de consulta urológica. Fatores inflamatórios, imunológicos, neuropáticos e infecciosos são implicados como responsáveis pela constelação de sintomas que caracterizam o problema.

Litíase Urinária (cálculos ou pedras) – Afeta preponderantemente adultos jovens e os homens são de duas a três vezes mais afetados que as mulheres. A cólica renal, causada por cálculos que obstruem a passagem da urina, é uma das causas mais frequentes de atendimento em emergências hospitalares.

Hiperplasia de Próstata (HPB) – Afeta praticamente todos os homens a partir da 4ª década de vida. Ela é causada pelo envelhecimento e pela presença do hormônio masculino: a testosterona. O aumento do volume prostático determina dificuldade à passagem de urina pela uretra, o que causa sintomas como dificuldade miccional, jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto, aumento do número de micções e esforço para urinar.

Câncer de Próstata – é a neoplasia mais freqüente no sexo masculino, representando mais de 40% dos tumores que atingem os homens acima de 50 anos. No Brasil, dados do INCA mostram uma incidência aproximada de 50 mil casos/ano. É assintomática e o diagnóstico precoce é realizado por meio de exames de sangue periódicos de PSA (Antígeno Prostático Específico) e do toque retal da próstata. Estes exames são complementares e um não substitui o outro. A recomendação é que os homens com casos na família façam os exames a partir de 40 anos, quem não tem histórico familiar pode começar a prevenção aos 45 anos.

Câncer de Pênis – É um dos poucos cânceres evitáveis. A prevenção do tumor é realizada facilmente com a educação da população, com o cuidado de higiene, uso de preservativo nas relações sexuais para se evitar o HPV e a cirurgia de fimose ou exuberância de prepúcio na puberdade. Em casos graves é preciso amputar o órgão e até mesmo os membros inferiores.

Câncer de Bexiga – É o segundo tumor urológico maligno mais comum. Sua manifestação mais frequente é sangue na urina (visível a olho nu ou detectado em exame de urina). O principal fator de risco para o desenvolvimento deste tumor é o tabagismo.

Câncer de Rim – É o terceiro tumor urológico mais frequente e sua incidência vem aumentando nas últimas décadas. Comparado a outros tumores urológicos, é o mais letal dentre eles, já que quase 40% dos indivíduos que o apresentam vão morrer em decorrência do mesmo. É mais comum em homens do que em mulheres e é diagnosticado mais frequentemente após os 50 anos de idade. Atualmente, com o uso frequente de ultrassonografias abdominais, há uma tendência a se diagnosticar estes tumores em estágios mais precoces, o que melhora os índices de cura.

Câncer de Testículo – É uma doença rara, entretanto, é o tumor maligno mais frequente em homens dos 15 aos 35 anos de idade, daí sua importância, já que afeta uma população em pleno potencial de reprodução e de atividade. Além disso, os índices de cura com o tratamento cirúrgico e quimioterápico são extremamente altos, especialmente quando diagnosticados em estágios iniciais.

Doença de Peyronie – Curvatura anômala do pênis. De causa desconhecida, a doença de Peyronie forma uma espécie de "calo" ou nódulo no pênis. Pequenos traumatismos durante o ato sexual são uma possível explicação para o problema. Este traumatismo seria seguido de uma cicatrização errônea. Atinge normalmente homens entre 40 a 65 anos.

Andropausa (DAEM – Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino) – trata-se de uma diminuição gradual dos níveis sanguíneos da testosterona que acompanha o envelhecimento e que pode estar associada a uma significante diminuição da qualidade de vida dos homens. A queda da testosterona começa em média a partir dos 40 anos. A prevalência deste distúrbio varia de 10% a 30% dos homens a partir dos 60 anos.

Idoso:
Incontinência Urinária – Perda de qualquer quantidade de urina, de forma involuntária. Pode vir acompanhada de forte desejo para urinar, necessidade de ir ao banheiro várias vezes durante o dia e a noite. Relaciona-se ao processo de envelhecimento que leva a perda de capacidade da bexiga de armazenar urina.

Hiperplasia Benigna da Próstata (HPB)

Câncer de Próstata


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Aline Thomaz
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