SBU - Sociedade Brasileira de Urologia

Notcias

Sociedade Brasielira de Urologia lana recomendaes para o cncer de prstata 2013

Compndio foi elaborado por 25 especialistas em urologia, oncologia e radioterapia. Entre as principais mudanas destacam-se:

- o aumento em cinco anos para a avaliao precoce da doena: 45 anos para homens com casos na famlia ou negros e 50 anos para os demais

- princpios bsicos da preveno deste tumor

- identificao de casos de cncer de prstata que tm baixa agressividade e que no necessitam de tratamento imediato

- seleo individual da teraputica, ou seja, no existe tratamento padro para todos os casos

- atualizao dos novos mtodos teraputicos que permitiram aumentar a sobrevida dos pacientes com melhor qualidade de vida

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) acaba de atualizar suas recomendaes para o cncer de prstata e lana um livro com a compilao desses dados durante o 34 Congresso Brasileiro de Urologia, de 16 a 20 de novembro, em Natal (RN). Vinte e cinco especialistas - entre eles, urologistas, oncologistas e radioterapeutas - se debruaram por dois anos sobre os ltimos estudos da doena para definir diretrizes a serem seguidas pelos mdicos brasileiros. As ltimas recomendaes da entidade tinham mais de cinco anos e encontram-se defasadas. A organizao da obra do presidente da SBU, Aguinaldo Nardi, e do coordenador do Departamento de Uro-oncologia da SBU, Antonio Carlos Lima Pompeo. O lanamento ocorre no ms em que celebrado o Novembro Azul, movimento realizado em parceria com o Instituto Lado a Lado pela Vidade orientao sobre o cncer de prstata.

Entre as novas indicaes da entidade est o aumento da idade para diagnstico precoce do cncer de prstata: 45 anos para homens com casos da doena na famlia ou negros e 50 anos para os demais. Antes a recomendao era de, respectivamente, 40 e 45 anos. " uma tendncia mundial essa mudana. Ela baseada nos trabalhos cientficos publicados nos ltimos anos", diz o presidente da SBU.

O objetivo do livro apresentar uma atualizao dos avanos obtidos e dar uma viso prtica aos especialistas, buscando a uniformizao na conduta dos tumores da prstata. Na publicao, a SBU se posiciona frente ao que oferecido hoje em tratamento para o cncer de prstata, aps ampla consulta tcnica literatura urolgica e debate aprofundado com o comit de especialistas.

"Os conhecimentos sobre o cncer da prstata apresentaram notvel evoluo na ltima dcada. No momento, baseados em informaes obtidas da bipsia dos tumores e de estudos por imagem (ressonncia magntica, tomografia computadorizada, etc.), temos condies de individualizar com boa margem de segurana qual cncer tem maior ou menor agressividade e, assim, escolher a melhor modalidade teraputica para aquele caso, ou seja, o tratamento no semelhante para todos os casos - existem mesmo tumores em que a terapia inicial desnecessria devido ao comportamento indolente da doena e, assim, o acompanhamento rigoroso com exames peridicos torna-se a conduta de escolha", explica Pompeo.

Uma nova tendncia no tratamento da doena abordada em um captulo inteiro: a vigilncia ativa, metodologia baseada na observao da evoluo do quadro sem intervenes teraputicas quando o cncer classificado como indolente e o paciente se enquadra em uma srie de requisitos.

Um outro destaque da obra o controverso rastreamento (screening) do cncer de prstata. De acordo com o compndio, nos Estados Unidos, houve um declnio anual de cerca de 4,1% na taxa de mortalidade por cncer de prstata entre 1994 e 2006, com queda estimada de mortalidade em 40% nos ltimos 15 anos. Atualmente, o diagnstico da doena avanada caiu de 25% para 4% entre 1985 e 2002. No entanto, a American Urological Association deixou de recomendar o screening desde maio de 2013. As justificativas, segundo o livro da SBU, apresentam claras controvrsias e incluem riscos/benefcios, custos, polticas de sade, governamentais etc.

Obesos tm mais chances de cncer agressivo

A obra discorre ainda sobre os efeitos da alimentao no aumento do risco para a doena, ressaltando que, apesar de atrativas, estas recomendaes baseiam-se em literatura com baixos nveis de evidncia. Entre estas indicaes esto: mudar estilo de vida (estresse, atividade fsica, sono); diminuir ingesto de alimentos ricos em gorduras (carne vermelha, azeite de origem animal, frituras); estimular consumo de frutas, verduras, gros e legumes; restringir tabagismo e excesso de bebidas alcolicas.

Em outro capitulo, os mdicos enfatizam que "estudos sugerem associao entre o excesso de calorias ingeridas e a obesidade com o risco do desenvolvimento de cncer de prstata agressivo e maior risco de bito pela doena. Atividade fsica regular est associada reduo da inflamao e melhora do sistema imunolgico, alm do controle de peso. Essa associao pode estar relacionada a menor risco de desenvolvimento do cncer de prstata".

Para Pompeo, as modalidades teraputicas evoluram sobremaneira, tanto para tumores localizados (cirurgia, radioterapia, entre outros) como para neoplasias avanadas, ou seja, que tenham metstases (tumores distncia). "Neste particular surgiram medicaes efetivas que permitem melhorar sobremaneira a qualidade de vida dos pacientes e mesmo aumentar a sobrevida. Vivemos uma atmosfera teraputica muito diferente daquela de uma dcada atrs", observa.

O compndio analisa cada uma das modalidades cirrgicas administrada hoje em dia no tratamento do cncer de prstata com suas vantagens e desvantagens.

O livro mostra que o uso de inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida e dutasterida) est associado a diminuio da incidncia de CaP de baixo grau. Entretanto, o aumento da incidncia de neoplasia de alto grau (ainda em investigao) no permite sua recomendao rotineira na preveno do cncer de prstata. A obra aborda ainda o risco aumentado de osteopenia ou osteoporose nos portadores de cncer de prstata e d indicaes de preveno.

Dados sobre a doena

O cncer de prstata, na maioria das regies, o tumor maligno mais frequente nos homens com idade superior a 50 anos, excetuando-se os tumores cutneos no-melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Cncer (INCA), a incidncia do cncer de prstata vem crescendo no Brasil, sendo esperado aumento de 60% do nmero de casos at o ano 2015. Em 2012 a ocorrncia foi de 62 casos novos para cada 100.000 homens, o que representa 30% das neoplasias no cutneas.

O tempo de duplicao celular de cerca de 2 a 4 anos, assim o tumor leva em mdia 15 anos para atingir 1 cm3. Em fases iniciais os tumores so em geral assintomticos e descobertos devido elevao do PSA, toque retal alterado (indispensvel) ou incidentalmente aps tratamento cirrgico de hiperplasia prosttica. Admite-se que o risco de diagnstico de cncer de prstata durante a vida de 16,4% e de bito, 3,7%.